Cap. 4 .  FUNDAMENTOS SOCIOLGICOS DO COMPORTAMENTO
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
Depois de estudar este captulo, voc dever ser capaz de:
 justificar a necessidade de estudar as influncias sociais para se entender o 
comportamento;
 conceituar Psicologia Social, interao social e comportamento inter- pessoal ;
 explicar por que alguns estudiosos afirmam que toda a Psicologia  Psicologia Social;
 estabelecer distino entre os estudos da Psicologia Social a nvel do indivduo e a nvel 
de grupo;
 conceituar socializao, argumentar a respeito da sua importncia para a Psicologia e 
dar exemplos de fatores socializantes, explicando sua influ ncia no comportamento;
 conceituar percepo social, descrever o fenmeno da primeira impresso e sua 
importncia e justificar a necessidade de estudo do processo
da percepo social;
 conceituar atitude e oferecer exemplos, mostrar que atitude e comportamento no so 
sinnimos; apontar os tipos de objetos a respeito dos quais no temos atitudes; relacionar 
mudana e desenvolvimento das ati tudes e argumentar a respeito da importncia da 
compreenso das atitudes para a Psicologia;
 explicar e exemplificar os conceitos de grupo, grupo primrio e secun drio 
posio, status e papel;
 justificar a importncia do conceito de papel para se compreender o comportamento 
humano;
 caracterizar liderana como um fenmeno grupal, referindo-se aos atributos 
emergencial e situacional; explicar o que se entende por lder for mal e informal; 
caracterizar a liderana autocrtica, laissez-faire e democrtica referindo-se ao 
comportamento do lder e s conseqncias sobre as relaes interpessoais e a 
produtividade.
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INTRODUO
O homem, assim como os Outros animais, vive associado a outros indivduos da sua 
espcie.
Todas as notcias que recebemos da histria e da pr-histria nos fa lam de agregados 
humanos.
O eremita  uma excesso  regra bastante rara e Robinson Cruso apenas uma figura 
literria.
O homem isolado e,na verdade, uma fico.
Desde o nascimento, os seres humanos vivem num processo de in terao com os 
semelhantes.
Quem pretender estudar e compreender o comportamento, pois, no pode deixar de 
considerar o ambiente social em que ele ocorre.
A Psicologia Social  o ramo da Psicologia que estuda os comporta mentos resultantes da 
interao entre os indivduos.
Entende-se por interao social o processo que se d entre dois ou mais indivduos, em que 
a ao de um deles , ao mesmo tempo, res posta a outro indivduo e estmulo para as aes 
deste, ou, em outras palavras, as aes de um so, simultaneamente, um resultado e uma 
causa das aes do outro.
Estes comportamentos, chamados interpessoais, ou sociais, podem se dar de muitas formas 
diferentes. Por exemplo, podem ser movimen tos fsicos como um sco, um abrao, uma 
expresso facial, ou podem ser palavras proferidas oralmente ou escritas.
E preciso fazer notar que um comportamento interpessoal no neces sariamente se d 
apenas quando esto juntos dois ou mais indivduos. Quando o adolescente, na solido de 
seu quarto, se apronta esmerada- mente para o encontro que ter, no mesmo dia, com a 
namorada, est oferecendo um exemplo de comportamento interpessoal porque se comporta 
com referncia a outra pessoa, na expectativa de uma inte rao.
Quando este mesmo adolescente d um pontap raivoso numa pe dra, numa rua deserta, 
expressando sua frustrao porque o encontro no transcorreu como ele desejava, tambm 
est respondendo a est mulos de uma interao j ocorrida, por isso pode-se classificar este 
comportamento de social ou interpessoal.
Sendo assim,  fcil verificar que praticamente todos os comporta mentos humanos so 
resultantes da convivncia com os demais.
Por isso, muitos estudiosos insistem que, na verdade, toda Psicolo gia  Psicologia Social.
Apesar da conceituao da Psicologia Social como o estudo dos comportamentos 
resultantes da interao social ser bastante ampla e
pouco esclarecedora (j que quase todos os comportamentos so resul tantes do processo de 
interao), ela serve para distinguir a Psicolo gia Social de outros campos de estudo da 
Psicologia, como, por exem plo, da Psicologia Fisiolgica.
No h, entretanto, fronteiras delimitadas entre a Psicologia Social e outros campos da 
Psicologia, assim como no as h entre a Psicologia Social e outras disciplinas, 
especialmente a Sociologia.
Para concluir, o comportamento humano se d num ambiente social,  decorrncia dele, ao 
mesmo tempo que o determina.
Sendo o objeto de estudo da Psicologia o comportamento e estando o comportamento to 
estreitamente vinculado ao meio social,  eviden te a importncia do estudo da influncia 
social sobre o comportamento.
O COMPORTAMENTO SOCIAL DO INDIVIDUO
Numa tentativa de estruturar o vasto campo de interesse da Psicolo gia Social, alguns 
estudiosos dividem-no em dois nveis, o do indivduo e o do grupo.
H estudos em Psicologia Social que se interessam pelo comporta mento social individual, 
como  o caso dos estudos sobre processos de socializao, percepo social e atitudes 
sociais. Outros buscam com preender processos basicamente grupais como o desempenho 
de papis, liderana e outros, investigando as influncias do grupo sobre o indiv duo e 
vice-versa.
claro que esta diviso em nveis pretende apenas facilitar a compre enso do amplo campo 
de estudo da Psicologia Social, porque para se entender o comportamento social  preciso 
tanto estudar os proces sos individuais quanto os grupais, basicamente interdependentes.
No se pode pretender, num livro de introduo  Psicologia, o exa me extenso e detalhado 
de todos os temas da Psicologia Social, por isso o resto deste captulo pretende apenas 
oferecer alguns dados sobre tpicos bastante estudados em Psicologia Social.
Socializao
Chama-se socializao o processo pelo qual o indivduo adquire os padres de 
comportamento que so habituais e aceitveis nos seus grupos sociais. Este processo de 
aprender a ser um membro de uma famlia, de uma comunidade, de um grupo maior, 
comea na infncia e perdura por toda a vida, fazendo com que as pessoas atuem, sintam e 
pensem de forma muito semelhante aos demais com quem convivem.
A influncia da cultura (conhecimentos, maneiras caractersticas de
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pensar e sentir, hbitos, metas, ideais, etc.) da sociedade em que vive um indivduo  
enorme na formao da sua personalidade.
Por exemplo, nas sociedade ocidentais em geral, a competio  valorizada e as crianas 
so recompensadas pelos comportamentos de competio. Entre os ndios Zunis (do Novo 
Mxico, estudados pela antroploga Ruth Benedict) ou nos kibbutzim israelenses, pelo 
contrrio, a cooperao constitui-se num valor realado de forma que as crianas que 
terminam suas tarefas mais rapidamente so con tidas para que no provoquem 
constrangimento nas outras. Estas cri anas aprendero a preferir manter-se iguais, e no 
superiores, aos seus companheiros.
Assim, a cultura do meio social de um indivduo influencia marcan temente suas 
caractersticas de personalidade, seus motivos, atitudes e valores. As prescries culturais 
so ensinadas  criana, inicialmente, pela famlia.
A famlia se constitui no maior agente socializante, isto , as expe rincias da criana na 
famlia, particularmente com a me, so da maior importncia para determinar seu 
comportamento em relao aos ou tros.
E a me, em geral, que satisfaz as necessidades bsicas da criana, alimentando-a, 
aquecendo-a, livrando-a de dores, etc. No caso das pri meiras interaes com a me serem 
gratificantes, a criana passar a confiar nela e, por generalizao, a confiar nos outros; se 
ocorrer o contrrio, isto , se a criana no puder contar com a me sempre que houver uma 
necessidade a ser satisfeita ou se a me no suprir satisfatoriamente suas necessidades, 
desenvolver-se- um sentimento de desconfiana que ser generalizado aos outros.
As reaes costumeiras dos pais aos comportamentos exploratrios e independentes dos 
filhos pequenos se constituem, tambm, num exemplo de fator de socializao.
De maneira geral, pais tolerantes que recompensam e encorajam a conduta independente e a 
curiosidade, tero filhos mais ativos, confi antes em si mesmos, com desejos de domnio 
sobre o meio. Em contras te, os pais que restringem a atividade exploratria e liberdade de 
movi mentos de seus filhos, ou para superproteg-los ou apenas para con seguir manter o 
controle sobre eles, tero filhos submissos, retrados nas situaes sociais e sem confiana 
em si prprios.
Foram oferecidos, neste item, alguns exemplos de como o meio so cial em geral e o meio 
familiar em particular influem no processo de socializao do indivduo.
No entanto, no se deve perder de vista que  grande o nmero
de fatores e agentes socializantes, tornando extremamente complexo o processo de 
socializao.
Percepo Social
Chama-se percepo social ao processo pelo qual formamos impres ses a respeito de uma 
outra pessoa ou grupo de pessoas.
Sobre as pessoas nunca temos percepes desconexas ou isola das, mas sempre integramos 
observaes numa impresso unificada e coerente, mesmo que para isso precisemos 
inventar ou distorcer caractersticas percebidas.
J se estudou bastante a respeito das primeiras impresses e da sua importncia. 
Resumidamente, ns todos temos a tendncia de fazer julgamentos bastante complexos a 
respeito dos outros, com base em bem poucas informaes. As primeiras impresses 
determinam em mui to o nosso comportamento em relao s pessoas e tm probabilidade 
de se tornarem estveis, talvez pela tendncia dos seres humanos de cor responderem s 
expectativas a seu respeito.
Um experimento que ilustra a influncia da primeira impresso na formao de juzo sobre 
as pessoas, e tambm a tendncia de julgar a partir de poucos dados,  o realizado por 
Kelley em 1950.
Nesse experimento, anunciou-se a um grupo de estudantes univer sitrios que teriam uma 
palestra com um professor visitante. Antes da palestra foram distribudas folhas 
mimeografadas com uma descrio do palestrante. Metade dos alunos receberam folhas 
onde se dizia que ele era uma pessoa fria, trabalhadora, crtica, prtica e decidida. Para a 
outra metade dos alunos, a descrio diferia apenas numa pala vra, o palestrante era 
descrito como afetuoso, trabalhador, crtico, prtico e decidido. A seguir, o professor 
visitante (na verdade, um cmplice do experimentador) era introduzido na sala e conduzia 
um debate de vinte minutos.
Solicitaes a avaliar o palestrante, os alunos que receberam a descrio do professor como 
frio diziam que ele era egocntrico, cerimonioso, pouco socivel e sem graa. Os outros, 
que receberam a des crio do professor como afetuoso tenderam a avali-lo como 
atencioso, sem cerimnia, socivel, benquisto e engraado.
Pode-se observar, ento, que a partir apenas de uma descrio sus cinta e de um contato de 
vinte minutos, se formaram juzos complexos e coerentes. Alm disso, apesar de todos 
terem observado a mesma pes soa, na mesma situao, chegaram a concluses bem 
diferentes sobre ela, apenas a partir de uma primeira impresso diferente, induzida pela
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informao inicial que tiveram sobre ela. O comportamento dos alunos, durante os vinte 
minutos de debate, tambm foi diferente, com muito maior participao daqueles que o 
acreditavam afetuoso.
claro que, muitas vezes, mudamos, aps alguma convivncia, a nossa impresso inicial de 
uma pessoa, mas isto no invalida a consta tao sobre a tendncia de a primeira impresso 
de ser duradoura.
O processo global pelo qual formamos impresses dos outros  bastante complexo e as 
pesquisas mostram que est sujeito a mui tos erros, como aqueles em que atribuimos aos 
outros, de forma incons ciente ou,quaSe,aS nossas prprias tendncias, desejos ou 
motivaes.
Dado que as relaes entre as pessoas dependero muito das impres ses que formam umas 
das outras, a compreenso do processo de per cepo social  muito importante em 
Psicologia Social.
Atitudes
Entende-se por atitude a maneira, em geral organizada e coerente, de pensar, sentir e reagir 
a um determinado objeto que pode ser uma pessoa, um grupo de pessoas, uma questo 
social, um acontecimento, enfim, qualquer evento, coisa, pessoa, idia, etc.
As atitudes podem ser positivas ou negativas e so, invariavelmente, aprendidas.
Quando uma pessoa pensa, por exemplo, que a democracia  a me lhor forma de governo, 
gosta das pessoas ou situaes que de certa forma a representem e apoia regimes 
democrticos ,atravs de palavras e outras aes, oferece um exemplo de atitudes positivas 
em relao ao objeto que, neste caso,  a democracia.
Um exemplo de atitude negativa poderia ser dado pela pessoa que percebe os negros como 
preguiosos e relaxados, no gosta deles e pro cura evit-los ou prejudic-los.
As atitudes tm, assim, trs componentes: um componente cog nitivo, formado pelos 
pensamentos e crenas a respeito do objeto:
um componente afetivo, isto , os sentimentos de atrao ou repulso em relao a ele e um 
componente comportamen tal, representado pela tendncia de reao da pessoa em relao 
ao objeto da atitude.
Na ausncia de qualquer um destes componentes, ou na ausncia de um objeto, no se pode 
falar legitimamente em atitude.
preciso fazer notar, no entanto, que destes trs componentes, apenas um  observvel 
diretamente: o comportamento. Os outros dois (pensamentos e sentimentos) so inferidos a 
partir dele. Assim, se uma pessoa coleciona artigos sobre os Beatles, compra todos os seus 
discos e procura assistir a todos os seus filmes,  razovel acreditar
que tambm gosta deles e que pensa a seu respeito coisas muito positi vas.
No se deve concluir, porm, que atitude seja sinnimo de com portamento, porque) muitas 
vezes, o comportamento de algum, numa determinada situao, no  coerente com a sua 
atitude. Um rapaz que afirma  sua namorada que gosta muito da me dela, no 
necessariamente tem, mesmo, atitude positiva em relao  provvel futura sogra. Somente 
a observao do comportamento global e costumeiro do rapaz em relao  me da moa, 
durante um certo perodo de tempo, poder responder  questo.
Temos atitudes em relao a quase tudo, exceto em relao a dois tipos de objetos: os que 
no conhecemos e os que so de pouca ou nenhuma importncia para ns. Por exemplo,  
de se supor que poucos brasileiros tenham alguma atitude em relao  poltica interna do 
governo finlands ou  cor da borracha usada pelos escolares.
A importncia das atitudes reside no fato do comportamento ser, em geral, gerado pelo 
conjunto de conhecimentos e sentimentos. As sim sendo, conhecendo-se as atitudes de 
algum, pode-se, com alguma segurana, prever o seu comportamento; alm disso, se se 
pretender mudar o comportamento das pessoas, deve-se procurar formar atitudes nelas ou 
alterar as j existentes.
Muitos comerciais da televiso procuram ensinar atitudes positivas em relao a 
determinados produtos (porque o comportamento correspondente ser compr-los) e muito 
esforo j foi empregado na tentativa de acabar com o preconceito racial.
Uma caracterstica importante das atitudes, entretanto,  a tendncia para serem muito 
resistentes  mudana, isto , depois de adqui ridas, as atituaes so difceis de serem 
mudadas. O preconceito racial permanece bastante vigorosos apesar das inmeras 
campanhas anti-se gregacionistas (um preconceito  uma atitude negativa extrema contra o 
outro esteriotipado).
A explicao para isto talvez esteja no processo de desenvolvimento das atitudes.
Nossas atitudes mais bsicas (e que vo, portanto, influenciar na aquisio de outras) so 
aprendidas na infncia, atravs da interao com os pais.
Geralmente, os pais so objetos de atitudes muito positivas da cri ana, j que eles atendem 
s suas necessidades, proporcionando-lhe bem-estar. Assim, tornam-se os principais 
modelos a serem imitados em suas atitudes. Alm disso, mostrar atitudes iguais s dos pais 
 cos tumeiramente reforado.
No  verdade, entretanto, que as pessoas tenham as mesmas ati 
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tudes que seus pais em relao a tudo. Ocorre que muitas outras influncias se apresentam a 
medida que a criana cresce. Aprendemos atitudes com nossos amigos, escola, igreja, etc.
As influncias culturais na formao de atitudes so mltiplas, constantes e s vezes 
contraditrias. Grupos sociais diversos, organismos estatais e particulares, todos procuram 
fazer com que as pessoas passem a agir da forma que eles propem. Nem sempre nos 
damos conta destas tentativas de influncia , assim como tambm no percebemos sempre 
as nossas prprias tentativas de mudar ou formar as atitudes dos outros.
A mudana numa atitude tem maior ou menor probabilidade de ocorrer dependendo de seu 
grau de extremismo, dentre outros fatores. Uma atitude extrema, como a de ser 
radicalmente contra a pesquisa nuclear, tem menos chance de ser alterada do que uma 
atitude pouco extrema (ser moderadamente contra ou a favor).
As atitudes so mensuradas atravs, principalmente, de escalas de atitude, mas so usados, 
tambm, os levantamentos, a entrevista e a observao do comportamento costumeiro da 
pessoa.
A importncia atribuida s atitudes se reflete no nmero de pesquisas efetuadas sobre o 
tema, tornando-o, provavelmente, o tpico mais estudado em Psicologia Social.
O COMPORTAMENTO DO GRUPO
Certos fenmenos, como o da liderana, desempenho de papel e outros, s existem porque 
existe um grupo. Apenas quando as pes soas vivem em grupos  que a liderana, por 
exemplo, pode aparecer em forma de comportamento.
Alm disso, o grupo exerce influncias importantes no comportamento humano em geral, 
por isso  que o comportamento do grupo, em si, merece ser estudado. Este campo de 
estudo que investiga os fenmenos grupais , muitas vezes, chamado de dinmica de grupo.
Grupo, Posio, Status e Papel
O que  um grupo? A platia de um cinema, os metalrgicos de uma cidade e as pessoas 
que aguardam o nibus numa esquina, so exemplos de grupo?
Olmsted (1970, p. 12), depois de revisar a literatura psicolgica e sociolgica, define grupo 
como uma pluralidade de indivduos que esto em contato uns com os outros, que se 
consideram mutuamente e que esto conscientes de que tm algo significativamente 
importante em comum. Interesses, crenas, tarefas, caractersticas pessoais e outras coisas 
podem ser este algo em comum.
Observa-se, no entanto, que nem a simples existncia de interesses ou atividades comuns 
(como ver o filme, trabalhar em metalurgia ou tomar o nibus) e nem a vizinhana 
fsica (como na platia do cinema ou na parada da esquina), fazem um grupo.
Para que um conjunto de pessoas possa ser chamado de grupo,  preciso que atenda, ao 
mesmo tempo, aos trs critrios: estar em contato, considerar-se mutuamente como 
membros de um grupo e ter al go importante em comum.
Assim, nem a platia do cinema, nem os metalrgicos e nem os que aguardam o nibus, 
constituem um grupo.
Grupo primrio  aquele que, alm de satisfazer os critrios de grupo, caracteriza-se pela 
existncia de laos afetivos ntimos e pessoais unindo seus membros. Em geral  pequeno, 
face a face, com comportamento interpessoal informal, espontneo e os fins comuns no 
precisam, necessariamente, estar explcitos ou fora da prpria convivncia grupal. A famlia 
e a turma de amigos so exemplos de grupo primrio.
A importncia dos grupos primrios reside principalmente no fato de se constiturem na 
fonte bsica de aprendizagem de atitudes e da formao total da nossa personalidade.
Nos grupos secundrios, as relaes so mais formais e impessoais, o grupo no  um fim 
em si mesmo, mas um meio para que seus componentes atinjam fins externos ao grupo. No 
momento em que o grupo deixar de ser um instrumento til para que estes fins sejam 
atingidos, ele se dissolver. O grupo secundrio pode ser pequeno ou grande.
Pode-se apontar como exemplos de grupos secundrios: uma sala de aula, as pessoas que 
trabalham num escritrio e uma equipe de cientistas que busca a cura do cncer.
Em geral, todos ns participamos de vrios grupos, alguns primrios e muitos secundrios.
Dentro de cada grupo ou instituio, cada membro possui uma posio, um status e um 
papel.
De maneira geral, a posio  definida pelo conjunto de direitos e deveres do indivduo no 
grupo. H no grupo familiar, por exemplo, a posio de pai, cujos deveres so prover o 
sustento da famlia, dar aos filhos formao geral, etc, e tem direitos como o de ser 
obedecido, respeitado, e outros. Ainda na famlia, h a posio de me, de filho, e outras. 
Numa indstria, uma posio pode ser a de operrio, outra a
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de chefe de seco e outra a de gerente geral. Os direitos e deveres de cada um so bastante 
diferentes.
Existem tambm posies formais, como a de diretor de uma em presa, e informais como a 
do operrio mais antigo que, apesar de no constar em nenhum regulamento, tem direitos e 
deveres diferentes dos de seus colegas.
Status  um conceito bastante relacionado com o de posio, tanto que alguns autores 
usam-nos como sinnimos. Pode-se estabelecer uma diferena entre eles dizendo que status 
se refere mais ao valor diferencial de cada posio dentro do grupo ou instituio.
A importncia atribuda a cada posio  indicada por smbolos de status, tanto nas 
sociedades mais desenvolvidas como nas primitivas e mesmo nas sociedades animais. Um 
escritrio mais espaoso, com ar condicionado em geral simboliza a maior importncia 
atribuda  posio de diretor geral, numa empresa. As medalhas e os gales so smbolos 
de status na hierarquia militar. A prpria linguagem que usamos nos dirigir s pessoas 
indica o status que atribu mos a elas (Sr., Excelncia, voc, etc.}.
O conceito de papel  um dos mais importantes em Psicologia Social e est, tambm, 
relacionado aos anteriores.
Papel pode ser entendido como o comportamento esperado da pessoa que ocupa 
determinada posio com determinado status.
O papel existe independentemente do indivduo que o desempenha. O desempenho do 
papel faz muito pela relativa uniformidade e coerncia da maioria dos processos sociais.
Espera-se que um pai ou um dirigente poltico aja de determinada maneira e se isto no 
ocorrer, as pessoas que ocupam estas posies esto sujeitas aos mais variados tipos de 
sanses sociais. Dependendo do grau de desvio do comportamento esperado, pode receber 
desde caras feias, multas, demisso do cargo, at sanses mais srias como priso ou 
pena de morte.
O conceito de papel pode ser mais facilmente compreendido se o associarmos ao papel de 
um ator de cinema, teatro ou TV. Cada artista tem a liberdade de introduzir algumas 
variaes no papel que representa, mas estas variaes tm um limite. O ator precisa 
conservar os traos essenciais do papel.
O meio social pode ser comparado com um teatro onde a pea a ser representada muda, 
quando estamos fazendo parte de um ou de outro grupo. Neste sentido, somos todos bons 
artistas porque passa mos a representar papis bem diferentes de um momento para o 
outro. Uma universitria, por exemplo, assume o papel de aluna na sala de aula (senta, 
escreve, pergunta), ao chegar em casa, passa a de 
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sempenhar o papel de me (prepara o almoo, atende aos filhos) e ao chegar no escritrio 
onde trabalha, passa a desempenhar o papel de secretria-executiva (decide, d ordens, 
controla o trabalho dos demais).
E freqente o conflito de papis, como no exemplo acima, onde numa determinada 
atividade,se espera da pessoa comportamentos submissos, dependentes e servis e,noutro, a 
pessoa deve ser autoritria, decidida e independente.
O conceito de papel  importante para se compreender o comportamento, porque todos ns 
temos tendncia para corresponder s expectativas dos outros a nosso respeito (mesmo s 
negativas). Assim sendo, conhecendo-se o papel que ser desempenhado por uma pes soa, 
pode-se, at certo ponto, prever e compreender o seu compor ta mento.
Alm disso, papis que desempenhamos por longos perodos de tempo,deixam sua marca 
em nossa personalidade As pessoas que es tiveram em cargos de chefia por muitos anos, 
tendem a adotar comportamentos autoritrios,mesmo em outros grupos ou outros trabalhos.
Um estudo interessante em Psicologia Social  sobre os papis sexuais. As diferenas 
biolgicas entre os sexos so genticas mas parece que os papis adequados para cada sexo 
so ditados pela sociedade. As sim espera-se que o menino seja mais ativo, independente e 
dominador do que a menina. natural, pois, que, correspondendo s expectativas sociais, no 
nosso meio, as mulheres se tornem mais passivas, submissas e dependentes.
Comparaes entre culturas ou pocas diferentes mostram que os papis sexuais so 
arbitrrios e o comportamento julgado adequado pa ra cada sexo  bastante diferente.
Liderana
De maneira geral, entende-se por liderana  influncia que certos membros de um grupo 
exercem sobre os demais.
Durante muito tempo tratou-se a liderana corno uma caracterstica individual e, por isso, 
um debate interessante era a questo da liderana inata X aprendida.
Hoje esta questo no tem mais sentido, j que ningum  lder, mas apenas atua como lder 
em determinadas situaes. Em outras palavras, s existe um lder, se existir um grupo e 
uma pessoa ser lder de um grupo ,apenas enquanto o grupo assim o quiser enquanto ela 
auxiliar o grupo a atingir os seus objetivos.
Hoje, entende-se a liderana como emergencial, isto , o lder surge
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de dentro do grupo e como situacional, isto , algum pode ser escolhi do 1 (der para um 
tipo de tarefa grupal e no para outro.
Algumas caractersticas de personalidade, no entanto, tornam mais provvel que um 
indivduo seja escolhido como lder em grande nmero de situaes. o caso, por exemplo 
de um indivduo ativo e o nvel de atividade tem muito a ver com hereditariedade.
No entanto, muitas vezes a palavra liderana  usada com o sentido de chefia. Quando 
uma pessoa  designada de cima para coordenar as atividades de um grupo ou instituio, 
fala-se de liderana formal, em contraste com a liderana informal, exercida pela pessoa 
com grande in fluncia sobre os membros do grupo sem ter sido formalmente designa da 
para isso.
Muitos estudos j puderam constatar a importncia da liderana informal e os conflitos que 
podem surgir quando os dois tipos de lderes atuam para objetivos opostos.
Um conhecido estudo sobre liderana (Lippit e White, 1943) buscou investigar sobre estilos 
de liderana e usou como sujeitos meninos de 10 a 11 anos, durante um acampamento de 
vero. Foram treinados lderes adultos para dirigir grupos de meninos.
Deste estudo surgiram as denominaes e a caracterizao da lide rana autocrtica, 
laissez-fai re e democrtica.
O lder autocrtico  aquele que determina toda a atividade do grupo,  o que acredita que, 
pelo simples fato de ser investido de autoridade, todos lhe obedecero, independentemente 
da justia ou injustia, acerto ou desacerto, viabilidade ou no de suas determinaes. Neste 
contexto, as relaes interpessoais sofrem palpvel deteriorao. Os subordinados 
manifestam revolta, hostilidade, retrao, resistncia passiva ainda que veladamente. O 
absentesmo  outra conseqncia comum num grupo assim liderado.
O lder laissez-faire  o que faculta ao grupo completa liberdade de ao e, na verdade, 
no atua como lder. Este tipo de liderana  fonte de atritos e desorganizao, anarquia, 
balbrdia; a produo costuma ser muito baixa.
O lder democrtico  o que dirige um grupo social qualquer com o apoio e colaborao 
espontnea e consciente de seus membros componentes, interpretando e sintetizando o 
pensamento e os anseios do grupo. As pessoas lideradas democraticamente integram-se no 
trabalho livremente, com otimismo, confiana e o rendimento , em geral, elevado.
Apesar da liderana democrtica ser o tipo ideal de liderana na maioria das situaes 
grupais, isto no  sempre verdade.
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Em situaes em que o grupo precisa efetuar uma tarefa com urgn cia, ou em que as 
tarefas sejam manuais e rotineiras,  provvel que a li derana autocrtica consiga maior 
produtividade.
Quando o grupo  composto de pessoas altamente responsveis e a tarefa for 
essencialmente criativa (como a de uma equipe de cientistas ou artistas), a liderana 
laissez-faire pode ser a mais indicada.
Nas situaes reais, o que se verifica  a inexistncia de tipos puros de lderes, parece mais 
comum que os chefes sejam uma composio de tipos.
QUESTES
1. Por que  importante o estudo das influncias sociais para se Compreender o 
comportamento?
2. O que estuda a Psicologia Social?
3. O que  interao social? E comportamento interpessoal? Exemplificar a resposta.
4. Por que alguns estudiosos consideram toda a Psicologia como Psicologia Social?
5. Como se costuma dividir os estudos da Psicologia Social? Explicar a resposta.
6. O que se entende por socializao? Dar exemplos que envolvem a cultura e a famlia 
como agentes socializantes.
7. O que  percepo social? E primeira impresso? Qual a importncia destes 
conceitos na compreendo comportamento?
8. Explicar o que  atitude e oferecer exemplos que destaquem os componentes da 
atitude.
9. Atitude  sinnimo de comportamento? Por que?
10. Quais s os objetos a respeito dos quais n temos atitudes? Exemplificar a
resposta.
11.        Onde e como, principalmente, adquirimos nossas atitudes mais bsicas?
12.        As atitudes podem ser mudadas? Explicar a resposta.
13. Por que  to importante a compreenso do tpico atitudes para se entender o 
Comportamento?
14. O que se entende, em Psicologia, por grupo, grupo primrio e secundrio, Posio 
status e papel? Ilustrar a resposta com exemplos.
15. Explicar o que  e como se desenvolve o papel sexual.
16. Justificar a importncia atribuda ao conceito de papel em Psicologia.
17. O que  liderana? O que significa liderana emergencial e situacional?
18. Qual a diferena entre os conceitos de l(der formal e informal?
19. Caracterizar liderana autocrtica, laissez-faire e democrtica e descrever as 
conseqncias de cada estilo de liderana sobre as relaes interpessoais e produtividade.
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